Era madrugada quando a fumaça tomou o edifício. Na garagem do Condomínio Jardim Fiesole, zona Leste de Teresina, um veículo híbrido plug-in pegou fogo enquanto era carregado. Quando o incêndio foi contido, cinco carros e duas motos estavam destruídos.
O tamanho do estrago
O prejuízo passou de R$ 1 milhão apenas em veículos. O calor extremo e a fuligem ainda comprometeram outros carros estacionados nas vagas vizinhas — dois Audi tiveram danos estruturais e de pintura. Apesar do pânico e da fumaça densa, ninguém se feriu.
A perícia investiga se o curto-circuito começou no sistema de gerenciamento das baterias de íon-lítio do veículo ou se houve sobrecarga na instalação elétrica do prédio.
A descoberta que veio depois do fogo
Passado o susto, veio a pergunta prática: quem paga? E é aqui que muito condomínio descobre tarde demais como funciona o próprio seguro.
O seguro obrigatório do condomínio, exigido pelo artigo 1.346 do Código Civil, cobre a edificação contra risco de incêndio — as partes comuns e a estrutura, inclusive a da garagem. Ele não cobre os veículos estacionados nem o conteúdo das unidades.
Cobertura para carro na garagem existe, mas é adicional: precisa ser contratada à parte pelo condomínio, e normalmente entra junto com coberturas como queda de portão sobre veículo. Sem ela, cada morador depende do próprio seguro do carro — e quem estava sem seguro fica no prejuízo.
A discussão que sobra
Se a perícia apontar sobrecarga na instalação elétrica do prédio, a conversa muda de lugar: passa a ser responsabilidade civil do condomínio pela manutenção da infraestrutura, não mais um acidente com o veículo de um morador.
É por isso que a instalação de carregador em prédio antigo não é só uma questão de tomada. Exige projeto elétrico, avaliação de carga do quadro e, muitas vezes, circuito dedicado e proteção própria.
O que fazer no seu prédio antes de precisar
- Confirmar com a corretora exatamente o que a apólice atual cobre — e se veículos estão dentro ou fora.
- Levantar quantos carregadores existem hoje e como foram instalados.
- Pedir avaliação de um engenheiro eletricista sobre a capacidade do quadro e a carga somada.
- Definir no regimento onde a recarga pode acontecer e sob quais condições.
