Carro elétrico pega fogo na recarga e destrói 5 veículos em garagem de condomínio
Incêndio na madrugada em Teresina passou de R$ 1 milhão de prejuízo. A causa ainda depende de perícia — mas a conta pode sobrar pro condomínio.

Foi na madrugada do dia 17 de março de 2026, no subsolo de um edifício residencial em Teresina (PI). Um carro elétrico estava plugado no sistema de recarga da garagem quando o fogo começou. Quando terminou, cinco veículos tinham virado sucata: o próprio elétrico, uma Ford Ranger, um Corolla Cross e duas motos. Outros dois carros, dois Audi, sofreram danos térmicos. O prejuízo passou de R$ 1 milhão.
A boa notícia — e é a única — é que ninguém se feriu. O fogo começou de madrugada. Mude o horário, com gente circulando na garagem, e essa história teria outro final.
Ninguém ainda pode dizer que a culpa foi do carro
Aqui vale a honestidade: a causa NÃO foi confirmada. A indicação de que o fogo começou no veículo que estava em recarga é preliminar e depende de perícia. O carro estava conectado ao carregador quando o fogo começou, mas estar conectado não é, por si só, conclusão sobre a origem.
Isso importa muito mais do que parece. Porque é exatamente a perícia que vai definir quem paga a conta de R$ 1 milhão — e se essa conta encosta no condomínio.
Quem responde por um prejuízo desse tamanho?
Segundo o consultor Fred Almeida, ouvido pela SíndicoNet, a responsabilidade pode cair em quatro lugares diferentes, dependendo do que a perícia apontar:
O proprietário do veículo, se o problema partiu do uso ou do carro dele. O fabricante, se houver defeito no veículo. O instalador do carregador, se a instalação foi malfeita. E o próprio condomínio — se houver falha na infraestrutura elétrica do prédio.
Guarde essa última. Ela é a que tira o sono de síndico. Se ficar demonstrado que a instalação elétrica da garagem não suportava aquela carga, ou que a recarga estava sendo feita numa estrutura improvisada que o condomínio tolerou, o prédio entra na conta.
Recarga de carro elétrico feita em tomada comum, com extensão puxada da coluna da garagem, é gambiarra. E gambiarra tolerada pelo síndico vira falha de infraestrutura na hora da perícia.
O que o síndico precisa fazer antes que aconteça no seu prédio
As orientações que saíram do caso são quatro, e nenhuma delas é complicada.
Primeiro: proibir extensões e gambiarras. Não é sugestão, é regra. Ninguém puxa fio de tomada comum pra carregar carro na garagem.
Segundo: regularizar a recarga com estação fixa e circuito exclusivo. Estrutura própria, dimensionada pra isso, separada do resto da instalação do prédio.
Terceiro: atualizar o plano de emergência. Incêndio em bateria de carro elétrico não se comporta como incêndio comum, e o plano do prédio precisa considerar isso.
Quarto — e esse muita gente esquece: comunicar a seguradora de que existe recarga de veículo elétrico no prédio. Seguro contratado sem essa informação é seguro que pode ser discutido justamente no dia em que você mais precisa dele.
A conclusão desconfortável
Carro elétrico na garagem já é realidade em muito condomínio brasileiro. O que quase nunca acompanhou foi a infraestrutura elétrica do prédio, que foi projetada numa época em que ninguém imaginava isso.
Enquanto essa diferença existir, cada tomada improvisada na garagem é um risco de R$ 1 milhão esperando a madrugada certa. Em Teresina, ninguém se feriu. Não dá pra contar com essa sorte duas vezes.
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