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Carro elétrico pega fogo em garagem de condomínio em Campinas e reacende a dúvida: o prédio está preparado pra recarga?

Duas viaturas dos bombeiros foram até o Condomínio Aldeia da Mata na noite de 31 de agosto. Ninguém se feriu, a causa não foi determinada — mas o caso escancara um problema que a maioria dos prédios ainda não resolveu.

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Carro elétrico pega fogo em garagem de condomínio em Campinas e reacende a dúvida: o prédio está preparado pra recarga?

Na noite de segunda-feira, 31 de agosto de 2026, um carro elétrico pegou fogo no estacionamento do Condomínio Aldeia da Mata, na Rua Hermantino Coelho, em Campinas (SP). O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 20h15 e enviou duas viaturas ao local. O incêndio foi controlado e ninguém ficou ferido.

Antes de você seguir lendo, um aviso de honestidade: as causas do incêndio ainda não foram determinadas. Não foi confirmado marca ou modelo do veículo, nem se ele estava sendo carregado no momento, nem quantos outros carros foram atingidos, nem valor de prejuízo. Quem cravar qualquer uma dessas coisas hoje está chutando.

O que dá pra afirmar é o efeito colateral do caso: ele jogou luz de novo sobre um assunto que muito síndico empurra com a barriga — a infraestrutura elétrica da garagem quando entram carregadores de carro elétrico na história.

Sua garagem não foi feita pra carregar carro

Aqui está o ponto que quase ninguém para pra pensar. A maioria das garagens de prédio brasileiro foi dimensionada para duas coisas: iluminação e portão. Só isso. Ninguém projetou aquele quadro elétrico imaginando dez, vinte carros puxando corrente por horas seguidas durante a madrugada.

Quando alguém compra um elétrico e resolve puxar um fio até a vaga, ou instala um carregador por conta própria com um eletricista qualquer, está pendurando uma carga pesada numa estrutura que não nasceu pra isso. E o resto do prédio inteiro divide o risco.

O que a norma exige — e ninguém cumpre

A ABNT NBR 17019 é bem específica sobre pontos de recarga em condomínio. Cada ponto precisa de circuito exclusivo, aterramento e disjuntor com DR (dispositivo diferencial residual). Não é sugestão, é o mínimo técnico.

E tem mais: a instalação precisa ser feita por engenheiro, com ART — a Anotação de Responsabilidade Técnica. Ou seja, existe um profissional com nome, registro e responsabilidade formal assinando aquilo. Não é o marido da vizinha que 'entende de elétrica'.

Se no seu prédio já existe carregador de carro elétrico instalado, pergunte na administração: tem ART? Foi engenheiro que projetou? Cada ponto tem circuito exclusivo e DR? Se a resposta for silêncio, você já sabe o tamanho do problema.

Por que isso é problema do síndico, e não só do dono do carro

A tentação é dizer 'o carro é dele, o problema é dele'. Não funciona assim. A garagem é área comum. A rede elétrica que alimenta aquele ponto é do condomínio. E um incêndio em garagem não fica só numa vaga — ele encontra outros carros, tanques de combustível, fumaça subindo pelas rampas e pelo poço de ventilação.

Por isso a decisão de permitir (ou não) carregadores, e sob quais condições técnicas, é assunto de assembleia e de laudo de engenheiro. Não é acordo verbal na porta do elevador.

O que fazer no seu prédio agora

Levante quantos moradores já têm ou pretendem ter carro elétrico. Contrate um engenheiro eletricista pra avaliar se o quadro geral suporta a carga adicional e quantos pontos são viáveis. Leve o resultado pra assembleia e coloque no regimento as regras: quem paga a adequação, quem paga a energia consumida, quem responde tecnicamente pela instalação.

E o mais importante: proíba expressamente a gambiarra. Fio puxado de tomada comum, extensão saindo do apartamento, adaptação feita sem projeto. Esse é o cenário que ninguém quer descobrir às 20h15 de uma segunda-feira.

Aproveite pra checar o básico do combate a incêndio na garagem: extintores dentro da validade, sinalização visível, rota de fuga desobstruída e AVCB em dia. Carregador de carro é a novidade — mas a maioria dos prédios ainda falha no que já era obrigatório há décadas.

Fontes g12026-09-01

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