Aluguel sobe 9,16% em um ano — mais que o dobro da inflação — e passa de 16% em três capitais do Nordeste
O FipeZAP de agosto de 2026 mostra reajuste de locação correndo muito acima do IPCA, com Aracaju liderando em 21,61%. Entenda o que isso significa na hora de renovar seu contrato.

Se você achou que o aluguel subiu demais no último ano, você não está paranoico. O Índice FipeZAP de Locação Residencial fechou agosto de 2026 com alta de 0,55% no mês e 9,16% em 12 meses. No mesmo período, o IPCA — a inflação oficial — subiu 4,22%. Ou seja: o aluguel correu mais que o DOBRO da inflação.
No acumulado de 2026, a locação residencial já soma 6,56%. É aquele tipo de número que não aparece só na planilha: aparece no seu extrato, todo dia 10.
As capitais onde o aperto foi maior
O dado mais duro da pesquisa está no Nordeste. Três capitais da região passaram de 16% de alta em 12 meses. Veja o ranking das maiores altas em 12 meses entre as capitais, segundo o levantamento divulgado pelo InfoMoney:
Aracaju: 21,61%. Fortaleza: 16,81%. Natal: 16,60%. Teresina: 15,81%. Vitória: 14,65%.
Coloque isso em perspectiva: em Aracaju, o aluguel anunciado subiu cinco vezes mais que a inflação do período. Não é reajuste de contrato indexado — é o mercado de oferta e procura apertando de verdade.
O dois quartos é o que mais pesa
Entre os tipos de imóvel, os apartamentos de dois dormitórios subiram 10,25% em 12 meses — acima da média geral de 9,16%. Faz sentido: é exatamente o formato mais procurado por casais, famílias pequenas e quem divide apartamento. Quando a demanda concentra num tipo, o preço responde primeiro ali.
O preço médio do aluguel no país está em R$ 54,47 por metro quadrado. São Paulo segue como a capital mais cara, com R$ 65,36 por metro quadrado. Na prática, um apartamento de 60 m² em São Paulo sai, na média, bem acima do que o mesmo metro quadrado custa na média nacional.
Tem uma boa notícia no meio disso
Agosto foi mês de desaceleração. A alta de 0,55% no mês representa um ritmo mais lento do que vinha sendo registrado. Isso não derruba o acumulado de 12 meses — ele continua em 9,16% —, mas indica que a pressão pode estar perdendo força. Uma desaceleração é isso: o preço ainda sobe, só sobe mais devagar.
Atenção na hora de renovar: o índice do FipeZAP mede o preço de OFERTA no mercado, não o reajuste automático do seu contrato. Seu contrato reajusta pelo índice que está escrito nele (normalmente IGP-M ou IPCA). Se o proprietário propuser uma alta muito acima do índice contratado, isso é renegociação — e renegociação se negocia.
Por que 30% da renda é o número que importa
A Fundação João Pinheiro traz o dado que dá o tamanho real do problema: 3,6 milhões de famílias com renda de até três salários mínimos gastam mais de 30% da renda com aluguel.
Esse patamar de 30% não é número aleatório. É o limite tradicionalmente usado para dizer que a moradia está pesando demais no orçamento — acima dele, o aluguel começa a comer o que deveria ir para comida, transporte e saúde. Quando o aluguel sobe mais que o dobro da inflação e a renda não acompanha, é exatamente essa conta que estoura.
O que fazer com essa informação
Se você é inquilino e o contrato está perto de vencer, vale chegar na conversa com dado na mão. Saber que a média nacional subiu 9,16% e que agosto já veio desacelerando é argumento para questionar uma proposta de aumento muito acima disso. Saber quanto custa o metro quadrado na sua capital ajuda a comparar se o valor pedido está dentro ou fora da realidade local.
Se você é proprietário, o recado é o oposto e igualmente útil: o mercado está aquecido, mas a desaceleração de agosto sugere que esticar demais o preço pode custar vacância. Imóvel vazio três meses derruba qualquer ganho de reajuste agressivo.
Leia também
Ver a editoria
A taxa de condomínio já come 40% do aluguel no Rio — e subiu mais que a inflação

Distrato de imóvel na planta passa de R$ 2 bilhões e a conta sobra pro comprador

Projeto que proíbe multar morador com deficiência por barulho passa na CCJ e vai rumo ao Senado
Antes de virar matéria aqui, sai no Instagram.
Todo dia, o que mudou no seu prédio — em vídeo curto, com fonte e data.
