A taxa de condomínio já come 40% do aluguel no Rio — e subiu mais que a inflação
Pesquisa do Secovi-Rio em 20 bairros mostra que a cota condominial disparou acima do IPCA em quase todos eles. Na Zona Norte, ela equivale a 40,7% do valor do aluguel.

Você paga o aluguel e acha que o aperto está ali. Não está só ali. No Rio de Janeiro, a taxa de condomínio já equivale a 40% do que se paga de aluguel em alguns bairros — e ela subiu mais rápido que a inflação.
É o que mostra a pesquisa do Secovi-Rio, divulgada pelo Condomínio Interativo, que acompanhou 20 bairros da cidade entre julho de 2025 e junho de 2026. Na Zona Norte, a cota condominial chegou a 40,7% do valor do aluguel residencial. Ou seja: a cada R$ 1.000 de aluguel, mais de R$ 400 saem do seu bolso só para manter o prédio de pé.
Subiu acima da inflação — em quase todos os bairros
O dado que mais incomoda não é o valor absoluto, é a velocidade. No período pesquisado, o IPCA foi de 4,64%. A taxa de condomínio subiu acima disso em quase todos os 20 bairros analisados. No Centro, a alta foi de 11,8% — mais que o dobro da inflação.
Traduzindo: não é impressão sua. O condomínio está encarecendo mais rápido que o resto da sua vida.
E não é só no Rio
O Censo Condominial 2025/26, divulgado pelo InfoMoney, mostra que o movimento é nacional. A taxa média de condomínio no país passou de R$ 413 em 2022 para R$ 516 no primeiro semestre de 2025. Alta de 24,9% em três anos.
Cem reais a mais por mês, todo mês, em três anos. Para quem mora de aluguel, isso entra direto na conta de "quanto custa morar aqui" — e muita gente só percebe quando vai renovar o contrato.
Por que isso importa pra você
Se você é inquilino: a taxa de condomínio é sua responsabilidade nas despesas ordinárias, e ela pode subir sem que o aluguel suba junto. O reajuste do aluguel tem índice e data. O do condomínio depende de assembleia — e pode acontecer a qualquer momento que o orçamento apertar.
Se você é proprietário: uma taxa alta pesa na hora de alugar ou vender. O candidato a inquilino olha aluguel + condomínio somados. Um prédio com cota inflada perde competitividade, mesmo com aluguel atrativo.
E se você é condômino que nunca vai em assembleia: é exatamente ali que esse número é decidido. O orçamento anual, o fundo de reserva, o contrato da administradora, a reforma que virou rateio — tudo isso passa pela assembleia. Quem não aparece, paga o que os outros aprovaram.
Antes de reclamar do valor, peça a prestação de contas. Você tem direito de ver onde o dinheiro está indo — folha de funcionários, contratos de manutenção, consumo de água e energia das áreas comuns. É nesses itens que a conta costuma inflar.
O que dá pra fazer na prática
Vá na assembleia de aprovação do orçamento. É a única hora em que sua opinião sobre o valor da cota tem peso formal. Depois de aprovada, a taxa é obrigatória — reclamar no grupo do WhatsApp não muda boleto.
Compare contratos. Administradora, portaria, limpeza, elevador, seguro. Prédios que nunca renegociam acabam pagando preço de cinco anos atrás corrigido para cima, sem checar se o mercado mudou.
E olhe o consumo de água e energia comum. Vazamento não detectado e iluminação ineficiente são dois dos maiores ralos silenciosos de qualquer condomínio — e entram na sua cota todo mês, sem você saber.
A taxa subir acima da inflação não é fatalidade. É resultado de decisões que alguém tomou — geralmente numa sala com dez pessoas, num prédio de cem apartamentos.
Leia também
Ver a editoria
Aluguel sobe 9,16% em um ano — mais que o dobro da inflação — e passa de 16% em três capitais do Nordeste

Distrato de imóvel na planta passa de R$ 2 bilhões e a conta sobra pro comprador

Justiça proíbe pai e filho de morar no próprio apartamento depois de 10 anos de ameaças aos vizinhos
Antes de virar matéria aqui, sai no Instagram.
Todo dia, o que mudou no seu prédio — em vídeo curto, com fonte e data.
